29 de junho de 2026

INFLUÊNCIA DO BEM: FARMACÊUTICA USA REDE SOCIAL PARA INFORMAR A POPULAÇÃO

As redes sociais já foram um espaço de puro entretenimento. Esta realidade, no entanto, transformou-se ao longo dos anos quando as pessoas passaram a perceber o potencial de alcance das redes. Isso foi o que a Dra. Marília Miranda, de 33 anos, notou ao começar a criar conteúdo voltado para as áreas de saúde e farmácia.

Graduada em Farmácia pela Universidade Federal da Bahia em 2016, ela se especializou em Farmácia Clínica e Farmacoterapia e Prática Clínica em UTI. Seu interesse pela área surgiu por causa de sua avó, que tinha doença de Chagas e sofreu muito com as complicações.

Isso despertou em mim o desejo de entender mais sobre medicamentos e pesquisa. Eu sonhava em encontrar a cura para doenças como a dela, então enxerguei na Farmácia o caminho ideal. Infelizmente ela faleceu dois anos antes de eu entrar na faculdade, mas foi justamente essa vivência que fortaleceu ainda mais minha escolha pela profissão.

A perda da avó não foi apenas um dos desafios enfrentados pela Dra. Marília, pois tinha acabado de se tornar mãe e vivia uma grande transição pessoal e profissional em sua vida quando decidiu produzir conteúdo para as redes sociais.

“Eu via muita informação rasa ou até errada circulando na internet, principalmente sobre medicamentos, e percebi que eu também poderia contribuir trazendo um olhar mais técnico, mas sem perder a linguagem simples. As redes sociais acabaram virando uma ponte entre a Farmácia que eu acreditava e as pessoas que precisavam de informação confiável no dia a dia.”

Quando questionada sobre o papel dos farmcêuticos nas redes sociais, Dra. Marília ressalta a importância da categoria para a conscientização da população: O farmacêutico tem um papel muito importante nas redes sociais, principalmente porque medicamento passou a fazer parte das conversas do dia a dia na internet. As pessoas buscam respostas rápidas, mas nem sempre encontram informações corretas ou contextualizadas. E uma coisa que eu sempre falo: farmacêutico é o profissional de saúde mais engajado no uso racional de medicamentos.

Em uma era em que medicamento virou brincadeira e banalização, o farmacêutico consegue trazer mais lucidez e responsabilidade para essas discussões.

Segundo a farmacêutica, a população ainda enxerga a Farmácia de uma forma limitada, quase sempre associada apenas à entrega de medicamentos. Quando o farmacêutico ocupa as redes sociais de forma responsável, ele consegue mostrar que existe um trabalho clínico e assistencial por trás disso. As pessoas passam a entender melhor o que o farmacêutico faz, quando procurar esse profissional e como ele pode contribuir para saúde pública.

As redes sociais aproximam o público da nossa profissão porque conseguem mostrar o que muitas pessoas ainda não conhecem: o farmacêutico como profissional de cuidado em saúde.

Outro ponto importante da criação de conteúdo por farmacêuticos é a possibilidade de combater desinformações em saúde (fake news). Dra. Marília ressalta a necessidade do estudo e da dedicação para realizar divulgação científica: Precisamos saber pesquisar em boas fontes, interpretar e analisar criticamente os estudos científicos, justamente pra não correr o risco de sermos mais um profissional reproduzindo informação errada na internet.

Quando falamos de medicamentos, uma informação errada pode trazer riscos sérios. O farmacêutico como divulgador científico, além de combater fake news, também ajuda as pessoas a desenvolverem um olhar mais crítico sobre o que consomem na internet.

Sobre a criação de conteúdo propriamente dita, Dra. Marília escolhe os temas que vai compartilhar com os seguidores a partir das dúvidas mais frequentes das pessoas sobre medicamentos ou informações em saúde que circulam se contextualização adequada nas redes sociais.

Os conteúdos que mais geram interação com o seu público são aqueles que criam identificação e fazem os estudantes de farmácia e os farmacêuticos refletirem sobre o rumo da profissão. “Os temas de maior alcance normalmente são os considerados mais “polêmicos” dentro da profissão, porque acabam trazendo discussões que muita gente vive na prática, mas poucas pessoas falam de forma aberta. Muitas vezes eu recebo comentários de farmacêuticos dizendo que eu falo o que muitos pensam, mas não se sentem confortáveis em explanar. E eu acho que isso conecta justamente porque abre espaço para discussão sobre nossa atuação profissional.”

O impacto positivo que este e qualquer trabalho causa na vida de outras pessoas serve como combustível para perseverar no caminho certo. Dra. Marília conta que já recebeu relatos que pessoas que mudaram hábitos ou buscaram atendimento farmacêutico ao serem influenciadas por seu conteúdo:

“Acho que isso é uma das coisas que mais dão sentido ao trabalho que eu faço nas redes sociais. Já recebi relatos de pessoas que buscaram atendimento farmacêutico depois de entender melhor o papel do profissional, inclusive pessoas que procuraram meu atendimento particular justamente por acompanharem a atuação que eu compartilho online. Teve um post que gerou muita interação em que eu explicava quando procurar um farmacêutico clínico, e isso ajuda a população a identificar o que esse profissional realmente faz, porque muita gente ainda desconhece essa atuação mais assistencial. E também existem mudanças que parecem simples, mas têm um impacto importante.”

Já recebi mensagens de pessoas que melhoraram a adesão ao tratamento por orientações passadas nos conteúdos, que conseguiram acesso a medicamentos caros através do SUS, que evitaram gastar dinheiro com suplementos desnecessários e passaram a procurar profissionais de saúde qualificados antes de seguir informações da internet. As redes sociais tem um poder enorme.

Sobre os desafios que enfrenta ao se posicionar como profissional de saúde nas redes, a farmacêutica destaca conseguir equilibrar o conteúdo acessível e também responsável: Na internet conteúdos mais rasos, sensacionalistas ou simplificados demais acabam tendo mais alcance, enquanto a informação com embasamento exige estudo e cuidado na forma de comunicar.

Outro desafio é estar constantemente exposta a críticas, interpretações fora de contexto e até resistência quando aborda temas mais sensíveis ou questiona determinadas práticas.

Além disso, existe uma grande responsabilidade ética, principalmente em relação à exposição de pacientes, histórias clínicas e dados sensíveis. Nem tudo pode ou deve ser transformado em conteúdo.

Sobre as oportunidades que enxerga para o futuro da Farmácia nas plataformas digitais, Dra. Marília pontua que é uma forma de aproximar cada vez mais a Farmácia da população, ajudando a mostrar a existência desse profissional de saúde capacitado que pode atuar diretamente no cuidado e que é acessível. Confira seu depoimento:

“É o reconhecimento da população que traz mais oportunidades de trabalho, principalmente na atuação de forma autônoma. Também vejo um potencial muito grande na formação de estudantes e profissionais. As plataformas digitais ampliaram muito o acesso à qualificação profissional. Hoje, estudantes e farmacêuticos conseguem ter contato com cursos, discussões e conteúdos produzidos por profissionais qualificados de diferentes lugares do país, algo que antes dependia de eventos presenciais. Isso democratiza o acesso ao conhecimento.

“E eu também acho importante reconhecer o quanto as redes sociais se tornaram uma ferramenta de visibilidade profissional. Muitas oportunidades que surgiram pra mim não teriam acontecido se eu não compartilhasse meu trabalho nas plataformas digitais. Inclusive, essa própria entrevista não existiria sem essa presença nas redes. Isso mostra como o ambiente digital também pode conectar profissionais e criar oportunidades.”

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