3 de maio de 2021

Dra. Kelli empreende focando no atendimento ao cliente e oferecendo treinamento técnico diferenciado para sua equipe

Dra. Kelli empreende focando no atendimento ao cliente e oferecendo treinamento técnico diferenciado para sua equipe

Dra. Kelli Estevan sempre soube que queria seguir a área de saúde. Quando ainda morava na sua terra natal, Santo André, em São Paulo, trabalhou em uma farmácia e se apaixonou pela área. Mas nem por isso as coisas foram mais fáceis para ela.

No começo de sua carreira, em Alcobaça-BA, como acontece com muitas pessoas, Dra. Kelli não encontrou emprego e passou a trabalhar no mercado do esposo. Quando conseguiu a oportunidade para trabalhar em Farmácia, percebeu que esse estabelecimento era mais visto como um comércio, e não como um ambiente de promoção da saúde. Seus colegas tinham dúvidas sobre medicamentos e por mais que tivessem postura profissional em seus atendimentos não havia total segurança nas informações prestadas por falta de capacitação contínua.

Dra. Kelli pós-graduou em Farmácia Clínica para se capacitar ainda mais em atenção farmacêutica. Ela tinha o desejo de ajudar os colegas, oferecendo capacitação na empresa em que trabalhava, mas, por mais que seus patrões a apoiassem, ela percebeu que precisaria ter o próprio negócio para ter mais autonomia e conseguir colocar em prática todas as suas ideias.

Tomando coragem, ela saiu do emprego e voltou a trabalhar com o esposo. Depois de 3 anos, eles conseguiram montar um empreendimento, a Farmácia Estrela do Sul, que tem apenas um ano de existência, mas já apresenta retornos positivos. Dentre os serviços prestados estão a entrega delivery, a aplicação de injetáveis, a venda de perfumaria diferenciada com produtos únicos na região (incluindo Importados) e acúmulo de pontos para troca em prêmios em todas as compras. Ela afirma “contamos com um atendimento especializado em vender emoções aos clientes! Isso mesmo, emoções.”

Um diferencial da empresa de Dra. Kelli é que ela trabalha a inteligência emocional com todos os funcionários, na intenção de ensiná-los a melhorarem como pessoa, enxergar as situações por vários ângulos e receber o cliente de forma única. “Para isso, além de fazer cursos que me capacitaram em gestão de pessoas, precisei descobrir o perfil comportamental de cada um dos funcionários a fim de aproveitar suas habilidades e trabalhar seus pontos de melhoria, o que me ajudou muito a fazer um trabalho mais detalhado em atendimento ao cliente e praticamente zerou a rotatividade de funcionários já que eles não trabalham apenas pelo dinheiro que ganham, mas pela satisfação e valorização pessoal.”

Confira a entrevista com a Dra. Kelli Estevan sobre empreendedorismo:

1. O que mais te motivou a empreender na área farmacêutica? O que mais te motiva a continuar com o seu empreendimento?
R: O que me motivou a empreender foi a ausência de vaga no mercado de trabalho e a depreciação do profissional farmacêutico. Eu tinha necessidade de colocar em prática a profissão que escolhi, tinha algumas ideias para melhorar os serviços tanto no balcão de farmácia quanto na variedade em perfumaria porque em Alcobaça não existia uma loja especializada em cosméticos, o que obrigava os moradores buscarem esses produtos na cidade mais próxima (a 60 km de distância) ou nas lojas virtuais. O que mais me motiva a continuar no empreendimento é o fato de agora eu ter a autonomia em dispensar com segurança um medicamento sem a obrigatoriedade em vendê-la e o fato de saber que minha loja beneficiou “talentos”, pessoas que não tinham uma oportunidade de aprender e desenvolver seu melhor por falta de oportunidade e treinamento qualificado.

2. Qual foi a sua maior insegurança ou dificuldade para empreender? Como conseguiu superar?
R: Meu maior medo em empreender era não ter um serviço de qualidade como eu “suscito”, sempre confiei nos meus atendimentos, mas pra dirigir uma empresa é necessário saber delegar e liderança pra mim era  uma posição um pouco desconfortável. Quando a farmácia já estava em vias de se concretizar procurei ajuda do método EVO especializado em desenvolvimento pessoal na intensão de aprender sobre Perfil Comportamental, capacitando-me para um relacionamento assertivo com os liderados. No entanto, pra fazer esse curso existia o requisito de primeiramente fazer uma jornada de inteligência emocional na premissa de que se eu quero compreender o outro eu preciso me conhecer primeiro, e essa foi a chave pro sucesso na minha empresa!

3. Como trabalhar a inteligência emocional dos seus funcionários influenciou no seu negócio? Quais mudanças você percebeu depois de oferecer treinamento aos seus funcionários nessa área?
R: Trabalhar a inteligência emocional me possibilitou olhar os cenários por ângulos diferentes tanto nas  contratações como nos relacionamentos com minha equipe diminuindo significativamente as chances de erro ao lidar com aqueles aos quais vou confiar o atendimento direto com meus clientes, aprendi a ouvir a necessidade dos liderados, agindo com senso de justiça equilibrado porque acredito que apenas o salário não mantém os talentos na organização, e além de  realizar treinamento técnico e de autoconhecimento conheço o perfil comportamental de cada um deles. Isso me possibilita delegar com estratégias sensatas, posicionando-os de forma  onde suas habilidades são bem aproveitadas, o que faz com que as tarefas fiquem mais fáceis e prazerosas de serem realizadas. O resultado é um profissional comprometido com a missão da empresa e isso reflete diretamente no acolhimento de nossos clientes. Hoje me sinto confiante na liderança.

4. O que espera para o futuro do seu negócio e da profissão farmacêutica?
R: Eu espero que a partir do modelo de empreendimento que coloquei em prática o profissional farmacêutico que atua em farmácia volte a ser reconhecido e respeitado pelos frutos gerados de atenção farmacêutica, comprometimento com o próximo tanto na terapia medicamentosa como um capacitador de pessoas para a área técnica, já que a área é carente de colaboradores qualificados. Farmacêutico não trabalha baseado em suposições, trabalha baseado na ciência e estuda bastante para tal. Logo, merece o reconhecimento da sociedade; No entanto, esse respeito deve ser conquistado com o seu diferencial e compromisso com o que se propõe a fazer.

5. O que você considera que pode ser feito para motivar mais farmacêuticos a empreenderem?
R: Acredito que o farmacêutico, antes de qualquer coisa, precisa saber que diploma é sinônimo de conquista, não de sucesso. Saímos da faculdade nos sentindo preparados por conta da carga horária de estudos, mas a realidade é que requer ainda mais empenho pra ter sucesso. Empreender é uma alternativa válida para aqueles que acreditam no que fazem porque talvez a busca de segurança num contrato tradicional retira do profissional a autonomia de atuar com excelência. A motivação deve ser um propósito, não uma proposta. Quando temos um propósito sabemos onde queremos chegar e desenvolvemos a persistência. Antes de decidir a área que vai atuar se responda porque quer fazer isso, descubra seu perfil e em que seguimento te trará prazer, e uma vez sabendo quem você é, vença seu medo, torne-se convicto do que gosta de fazer porque a área que você se identifica é a área que você terá sucesso.

6. O que você sentia falta em relação à gestão de pessoas na farmácia em que trabalhou antes de empreender? Como os donos de negócios podem oferecer ambientes mais saudáveis e colaborativos de trabalho?
R: Senti falta de um treinamento técnico continuado. Acredito que as pessoas as quais lhe ajudarão a cuidar do seu empreendimento sejam, talvez, o seu maior patrimônio. Não basta investimento em boa localização, aparência da loja, variedade em produtos, se a equipe que estará no atendimento direto com seus clientes não estiver preparada ou satisfeita com o que faz, é uma aposta alta demais.
Minha sugestão é que donos de farmácia que não são farmacêuticos solicitem desse profissional um treinamento contínuo para sua equipe em relação a medicações, existem diversas formas de se fazer esse trabalho e o farmacêutico tem aptidão para tal.
Farmacêuticos que são proprietários e que priorizam treinar seus colaboradores certamente trabalharão com mais tranquilidade e quando se ausentarem do estabelecimento sentirão confiança na equipe a qual for designada para ficar na loja.

“Destinei um espaço na minha empresa apenas para treinamento e avaliações, mas não é necessário essa estratégia para aqueles que não tiverem como dispor de um espaço para treinamento. Existem cursos online de capacitação que podem ser utilizados pelos balconistas e supervisionados pelos farmacêuticos responsáveis. Essa pode ser, por exemplo, uma exigência da empresa para aqueles que atuam diretamente com medicamentos.”

7. Qual conselho você daria para um farmacêutico que quisesse começar a empreender na área farmacêutica?
R: Empreenda na área que você de fato se identifica, isso tornará mais leve a caminhada. Trabalhe com pessoas que você preparou, para ter confiança na equipe e não se sobrecarregar.
As ideia fluirão, você terá mais visão do que pode ir melhorando dia-a-dia. Se estiver sobrecarregado de funções ou apenas interessado no retorno financeiro, estará seguindo a receita do fracasso.

O Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia está trazendo uma série de entrevistas com farmacêuticos empreendedores porque acreditamos no potencial da nossa categoria. Mas também sabemos que empreender não é fácil, que exige dedicação e coragem. Esperamos que mostrar histórias de superação e sucesso de pessoas que conquistaram o próprio negócio na área farmacêutica possa te inspirar a seguir esses exemplos e tentar atingir tudo que sonhou para sua carreira.

Para críticas, elogios e sugestões de pautas entrem contato com a ASCOM pelo e-mail ascom@crf-ba.org.br.

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